quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Numa volta pelo corredor encontrei, por acaso, um velho conhecido que há tempos eu não via. Eu não sabia que ele estava ali e fiquei surpreso com este reencontro. Na verdade, o que mais me surpreendeu foi o fato de ele viver ali ainda, daquele mesmo jeito, o cabelo desgrenhado e a cara de abobado; o fato de ele ainda estar vivo, de alguma forma... sem alimento, sem sustento e sem ar pra respirar.
Sorrimos e apertamos as mãos. E nesse apertar de mãos, compreendi que eu o alimentava sem saber, e que ele tinha de mim tudo que precisava pra continuar existindo até o momento em que eu o libertasse de novo, também sem saber. Era por isso que eu sentia tanta fome, aquele apetite atroz que me fazia querer devorar o mundo em três bocadas.
Acendi a luz do seu quarto há tanto abandonado e também meu corredor se iluminou. Com esta claridade repentina, meus olhos lacrimejaram um pouco. Tenho que me acostumar novamente, e lembrar para onde pretendia seguir.

"Todas as coisas tem que passar."

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