"E se a Sofia criasse alma? Soubesse andar por aí, penetrar no mundo das retinas, usar seus olhos para ver, e não só encarar... Se a Sofia entrasse no universo dos viventes, sofredores, e passasse a ter seus próprios ódios e rancores, será que, em sua agora finita juventude, ela saberia me amar?
Talvez não, e o conhecimento da atrocidade cometida por mim, no ato de criá-la, jamais fosse perdoado. Ainda assim, não seria melhor conviver com esse esmago, esse estrago incerto, do que com a certeza pífia dessa imagem rasa, inafogável?
Não sei, e na minha essência de animal não divino, nunca saberei.
E... não sou eu, também, um raso retrato da ideia de alguém? Se for, talvez nunca tenham voltado pra observar esse velho quadro decrépito.
Tchau, Sofia; vou comprar pão."
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