Eu olhava pela única janela possível e jamais saberia explicar o que sentia. Foi um transe, saca.
Ouvindo Neil Young eu mergulhei pesadamente em algum lugar em que não lembro de ter estado antes; nem reconhecerei se voltar exatamente lá, a visão era pouco nítida e nunca fui um bom observador visual. Me perco em lugares que já passei, as vezes, sabes bem.
Ah, lembro de algumas coisas dessa viagem curta que eu tive. Lembro de estar num lugar iluminado, luz solar no sub-trópico, um belo efeito de fim de tarde. De alguns lados, uns prismas insuspectos cintilavam, sem a ousadia de um arco-íris que, não custava nava, poderia ter aparecido. Não que eu precisasse dele. Naquele momento, não precisava de coisa alguma.
Foi um brilho que durou pouco e que me trouxe uma compreensão inexplicável. Ali eu o entendia, mas sabia que jamais seria capaz de explicar e que, no momento em que tentasse descrevê-la, esta compreensão evaporar-se-ia; como as gotículas colorizantes que permeavam minha vista, fadados estavam a desaparecer: aquele momento, aquela luz, esse sujeito.
Eu não sei o que foi isso que passou por mim, esse trovão gorgolejante que veio me pegar pela canela, me jogar num rio ou na sarjeta. Não sei como chamar esse momento e essa luz. Sei, apenas, que eram mistério. Eram, portanto, belos.
Chega de tentar.
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