quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sobre caminhos e calmantes

Como é difícil se ouvir.
Eu tinha algo para contar, mas não sei como começar.
É sobre um segredo, sobre um sonho.
Eu tenho em mim a impressão de estar vivendo a deriva.
É algo sobre um caminho que me acalma, mas que não encontro sempre que quero.
Que sentido faz eu estar aqui, apto a fazer esta pergunta?
Há anos venho tentando - e de repente me assusta a densidade de falar em anos - venho tentando falar sobre isso que há em mim e que eu nunca consigo explicar.
Bom, deixo aqui declarada minha desistência, posto que não sei mais sobre o que ia falar.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Confesso que até não achava estranho tantos outros acreditando na existência de um vigilante universal, sentado num trono metafísico. Achava estranho as pessoas terem certeza disso. Algo tão inquestionável não pode ser verdade, penso.

terça-feira, 24 de julho de 2012

- Foste condenado por ser mais imprevisível que o limite definido pela lei dos regentes universais do bairro, estando, assim, sujeito a pena de viver com medo da chuva e evitando sujar as mãos.
- Foste condenado a um século de reclusão, neste corpo mundano; considerado culpado por falta de luz; a ser libertado ou remanejado para outro cárcere dada a pena findada;

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Um dia, acordou sem os polegares opositores.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

E, no fim, aprendi que só a moldura não sabe fingir.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Interlúdio em Si Bemol

Ela era Sofia e não sabia.
Nem sentia, dia a dia, o velho Adolfo a lhe espiar.
Ali residia, na visão daquele senhor, o problema de amar tal seu amor; no singular, no sutil ar, nu a cintilar, estava seu Adolfo e seu amar em tom febril.
Ela era Sofia e não podia deixar de ser, pois não escolhera se começar.
Criatura que era, foi sem opção lançada ao cosmo, a óleo, ao céu em tom pastel.
Ela era Sofia e não sabia se olhar; era só, só, e só sabia ser Sofia.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Adolfo observa Sofia

"E se a Sofia criasse alma? Soubesse andar por aí, penetrar no mundo das retinas, usar seus olhos para ver, e não só encarar... Se a Sofia entrasse no universo dos viventes, sofredores, e passasse a ter seus próprios ódios e rancores, será que, em sua agora finita juventude, ela saberia me amar?
Talvez não, e o conhecimento da atrocidade cometida por mim, no ato de criá-la, jamais fosse perdoado. Ainda assim, não seria melhor conviver com esse esmago, esse estrago incerto, do que com a certeza pífia dessa imagem rasa, inafogável?
Não sei, e na minha essência de animal não divino, nunca saberei.
E... não sou eu, também, um raso retrato da ideia de alguém? Se for, talvez nunca tenham voltado pra observar esse velho quadro decrépito.
Tchau, Sofia; vou comprar pão."

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tolice condenar a fuga; a mim, é essa uma chance de correr pra um ponto de vista diferente. Levar só o que precisa.
A ideia é ave selvagem; não se pode prendê-la sem a ferir. Não se pode segui-la sem deixar o resto pra trás.

Um lugar calmo

Porque não há paz sem haver solidão.