Como é difícil se ouvir.
Eu tinha algo para contar, mas não sei como começar.
É sobre um segredo, sobre um sonho.
Eu tenho em mim a impressão de estar vivendo a deriva.
É algo sobre um caminho que me acalma, mas que não encontro sempre que quero.
Que sentido faz eu estar aqui, apto a fazer esta pergunta?
Há anos venho tentando - e de repente me assusta a densidade de falar em anos - venho tentando falar sobre isso que há em mim e que eu nunca consigo explicar.
Bom, deixo aqui declarada minha desistência, posto que não sei mais sobre o que ia falar.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Interlúdio em Si Bemol
Ela era Sofia e não sabia.
Nem sentia, dia a dia, o velho Adolfo a lhe espiar.
Ali residia, na visão daquele senhor, o problema de amar tal seu amor; no singular, no sutil ar, nu a cintilar, estava seu Adolfo e seu amar em tom febril.
Ela era Sofia e não podia deixar de ser, pois não escolhera se começar.
Criatura que era, foi sem opção lançada ao cosmo, a óleo, ao céu em tom pastel.
Ela era Sofia e não sabia se olhar; era só, só, e só sabia ser Sofia.
Nem sentia, dia a dia, o velho Adolfo a lhe espiar.
Ali residia, na visão daquele senhor, o problema de amar tal seu amor; no singular, no sutil ar, nu a cintilar, estava seu Adolfo e seu amar em tom febril.
Ela era Sofia e não podia deixar de ser, pois não escolhera se começar.
Criatura que era, foi sem opção lançada ao cosmo, a óleo, ao céu em tom pastel.
Ela era Sofia e não sabia se olhar; era só, só, e só sabia ser Sofia.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Adolfo observa Sofia
"E se a Sofia criasse alma? Soubesse andar por aí, penetrar no mundo das retinas, usar seus olhos para ver, e não só encarar... Se a Sofia entrasse no universo dos viventes, sofredores, e passasse a ter seus próprios ódios e rancores, será que, em sua agora finita juventude, ela saberia me amar?
Talvez não, e o conhecimento da atrocidade cometida por mim, no ato de criá-la, jamais fosse perdoado. Ainda assim, não seria melhor conviver com esse esmago, esse estrago incerto, do que com a certeza pífia dessa imagem rasa, inafogável?
Não sei, e na minha essência de animal não divino, nunca saberei.
E... não sou eu, também, um raso retrato da ideia de alguém? Se for, talvez nunca tenham voltado pra observar esse velho quadro decrépito.
Tchau, Sofia; vou comprar pão."
Talvez não, e o conhecimento da atrocidade cometida por mim, no ato de criá-la, jamais fosse perdoado. Ainda assim, não seria melhor conviver com esse esmago, esse estrago incerto, do que com a certeza pífia dessa imagem rasa, inafogável?
Não sei, e na minha essência de animal não divino, nunca saberei.
E... não sou eu, também, um raso retrato da ideia de alguém? Se for, talvez nunca tenham voltado pra observar esse velho quadro decrépito.
Tchau, Sofia; vou comprar pão."
segunda-feira, 14 de maio de 2012
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