segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Debaixo d'asa

De fora da casa de espelhos, dos discursos ensaboados e das falácias ruminantes; solitário reflito em mi menor.

Aqui eu posso andar de chinelinho.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Numa volta pelo corredor encontrei, por acaso, um velho conhecido que há tempos eu não via. Eu não sabia que ele estava ali e fiquei surpreso com este reencontro. Na verdade, o que mais me surpreendeu foi o fato de ele viver ali ainda, daquele mesmo jeito, o cabelo desgrenhado e a cara de abobado; o fato de ele ainda estar vivo, de alguma forma... sem alimento, sem sustento e sem ar pra respirar.
Sorrimos e apertamos as mãos. E nesse apertar de mãos, compreendi que eu o alimentava sem saber, e que ele tinha de mim tudo que precisava pra continuar existindo até o momento em que eu o libertasse de novo, também sem saber. Era por isso que eu sentia tanta fome, aquele apetite atroz que me fazia querer devorar o mundo em três bocadas.
Acendi a luz do seu quarto há tanto abandonado e também meu corredor se iluminou. Com esta claridade repentina, meus olhos lacrimejaram um pouco. Tenho que me acostumar novamente, e lembrar para onde pretendia seguir.

"Todas as coisas tem que passar."

Este é o jeito

Eu não sei como dizer.
Eu não posso mais brincar contigo.
Todas as coisas tem que passar, e tudo que vive nasceu para morrer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Acordar

Tão inexplicável quanto o ato de dormir.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
STARDUST WE ARE
O profeta veio a mim me dizer que o fim das falas está próximo e se calou.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sobre caminhos e calmantes

Como é difícil se ouvir.
Eu tinha algo para contar, mas não sei como começar.
É sobre um segredo, sobre um sonho.
Eu tenho em mim a impressão de estar vivendo a deriva.
É algo sobre um caminho que me acalma, mas que não encontro sempre que quero.
Que sentido faz eu estar aqui, apto a fazer esta pergunta?
Há anos venho tentando - e de repente me assusta a densidade de falar em anos - venho tentando falar sobre isso que há em mim e que eu nunca consigo explicar.
Bom, deixo aqui declarada minha desistência, posto que não sei mais sobre o que ia falar.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Confesso que até não achava estranho tantos outros acreditando na existência de um vigilante universal, sentado num trono metafísico. Achava estranho as pessoas terem certeza disso. Algo tão inquestionável não pode ser verdade, penso.

terça-feira, 24 de julho de 2012

- Foste condenado por ser mais imprevisível que o limite definido pela lei dos regentes universais do bairro, estando, assim, sujeito a pena de viver com medo da chuva e evitando sujar as mãos.
- Foste condenado a um século de reclusão, neste corpo mundano; considerado culpado por falta de luz; a ser libertado ou remanejado para outro cárcere dada a pena findada;

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Um dia, acordou sem os polegares opositores.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

E, no fim, aprendi que só a moldura não sabe fingir.